terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Todo jardim tem flores.

Tu podes mesmo ser milhões de pessoas, tu podes mesmo ir e voltar tentando se encontrar, tentando ser o melhor para si e para todos, mas há algo lá no fundo, que vai se destruindo durante esse percurso. Tu começas a pensar que é sensato desistir, tu descobres que é sensato desistir, tu descobres que é muito bom chorar, que apesar de não fazer sentido, alivia o amargo do peito, o salgado do coração, talvez esse sal seja o real gosto das tuas lágrimas, lágrimas internas.
Sabe quando tu amas pela primeira vez, e tudo que tu sentes é totalmente intenso, é completamente novo, é algo que te toma como um dia deitado na grama, sendo banhado pela luz da lua, o vento tocando tua pele? A imagem da coisa mais linda toma tua cabeça e ao fechar os olhos você sorrir interna e externamente, tua alma parece completa, você parece completo, então tu recebes uma flor e descobre que os clichês da vida são tão verdadeiros quanto fieis em suas palavras. Flores têm espinho, espinhos furam a pele, derramam o sangue do ser frágil e descuidado. Bem... De tudo que já vi do amor, sei bem que amor acaba em tragédia. E o espinho que te fura não é um espinho qualquer, pois ele muda a tua vida, ele muda teu modo de ver o mundo, de tratar as pessoas, de tratar a si mesmo. Tu descobres que morrer por dentro várias e várias vezes faz parte do percurso, do complicadíssimo sistema de viver em sociedade – e isoladamente. Porém, depois de tu mudares, tu descobres que apesar de todas as flores terem espinhos, nem todas irão usá-los para te machucar, algumas flores simplesmente escondem os próprios espinhos e se machucam por dentro. Outra coisa que descobri sobre o amor: alguém sempre sai machucado; Ao perceber que, apesar de teres uma semente alojada dentro de ti depois do primeiro amor, o segundo te faz notar que tu entregas uma flor a este, uma que vai destroçá-lo, assim como tu fora.
Com o tempo tu percebes que ao machucar tu não queres mais fazê-lo, pois tu já conheceras a dor de presentear com uma flor espinhosa, então, tu te abres novamente para sentir aquele primeiro amor, mas com outra pessoa. Bem... Tu estás mudando para voltar ao que era. Mas esquecera de como a sensação de primeiro amor acaba. Tragédia.
Então é isso! Isso é viver, isso é fazer parte da sociedade, tu deves vive-la, tu deves saber lidar com ela, ou tu apenas será mais uma pessoa espetada pelo espinho que tu relacionaras com a sensação do primeiro amor. Tu continuarás sonhando. Tu continuas sonhando, tu continuas perdido, tu continuas por aí, na sociedade, vivendo (isoladamente).

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Cemitério dos vivos Part. I e II

É uma fase bastante conturbada essa que todos estão passando. Um sonho marcando nossa doença. Todos ansiosos pela morte de um rei que tudo tem. Pobre rei, viver sendo deslumbrado pela sua postura, mas julgado erroneamente por aqueles que convivem apenas com suas vestes. Não é fácil ser um fantasma da imagem da sociedade, mais difícil ainda é ser o fantasma do coração alheio. Não no sentido assustador dos filmes de terror, mas no sentido de que mesmo estando ali, ser notado é uma questão de tempo. E tempo, diferentemente, do que dizem, não é algo que se encontra como bilhetes de loteria. Envelhecemos, nos tornamos poeira quando menos esperamos. Alguns vão mais cedo para além do desconhecido, outros vão criando rugas e acumulando morte dentro de si. O barro e a poeira são sempre o ultimo estado da vida - ou morte-, senão pó.


Imagem da internet
Não há nada mais triste que se esconder dentro do próprio coração, pois é ali que habita toda a tristeza do homem. Estar no escuro com tudo aquilo que corrói a própria existência significa o mesmo que se entregar ao desesperado grito de socorro, às vezes haverá uma resposta rápida de resgate, às vezes é ali que você reside até os últimos dias. Últimos dias de dor, prisão e cárcere, a morte nem sempre pareceu tão alegre, tão libertadora.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Sangue de mentiras

imagem da internet
Quando ele vai perceber que está me matando? Estou morrendo lentamente, há sombras por toda minha mente, há escuridão na minha vida, ele faz parte de um elo que ninguém seria capaz de quebrar. Quando ele vai entender que está me matando? Essas paredes não são feitas de marfim, essas conversas não são nada além de mentiras, espinhos, veneno.  Quando ele vai perceber que está me perdendo? Esse amor que o dinheiro compra, esse elo de sangue que nos une. Somos ambos bastardos da vida, mestiços e impuros, sangue ruins.
Como poderia eu ser um afortunado para herdar essa fortuna de podridão? O que ele não percebe é que estou morrendo, ele está me matando. Eu precisaria de um abrigo nessa casa, onde o telhado é de espelho. Cada um só ver no exterior o que os olhos – na ilusão da verdade-, engana e mostra apenas aquilo que se quer ver.


Imagem da internet
-Aqui jaz uma vida onde a dor e a destruição são companhias fiéis de um ego. Bata na porta três vezes e aceite a realidade que te espera. O que você pode ver não é no mínimo parecido com o que você pode esperar. Se tu não estas pronto para uma desconstrução do perfeito, esse é o momento para fugir, pois antes da terceira batida a porta continua fechada, e eu, eu continuo trancado onde tu achas que é perfeito. 

sábado, 26 de novembro de 2011

Every single moment

Talvez tu não saibas o que queres também. E eu desesperado por não ter certeza do meu sentimento, te abraço. Nossa! Como eu amo teu abraço, tão quente, tão firme, tão tu, tão teu.
Talvez tu ames esse meu desajeitado modo de ser, sempre tão impaciente, tão frio, tão sarcástico, tão sorridente, tão eu. Ser paradoxal é uma virtude de muitos, quando poucos querem apenas demonstrar afeição. Porém, não preciso disso, não preciso de um amor falso, regrado por mentiras e ocultismo; de viver uma mentira, de ser capaz de enganar para arrancar uma lágrima, ou omitir uma verdade para ampliar um sorriso. Há fatores na vida de uma pessoa que a leva em lugares tão obscuros que às vezes, só às vezes, a luz do coração não é capaz de acender. São nesses momentos que preciso de você. 



imagem tirada da internet

domingo, 30 de outubro de 2011

Meu pedaço da vida

É claro que algumas coisas mudaram na minha vida, afinal, nesse processo de mudanças que me encontro, também seria natural não mudar nada, ou voltar para o que poderia chamar de um amigo ou inimigo do meu eu, mas de qualquer forma seria mudança. E esse processo é algo tão controlável quanto chuva no fim de uma tarde desagradavelmente quente.
Há, é óbvio, motivos para as mudanças. Esse mundo externo é tão ou mais perigoso que o interno que também não me enquadro. Nele se encontra tantas mentes manipuladoras, que ao se deparar com a pureza de um ato, ou a sutileza de uma ação, qualquer mente previamente desgastada e avisada, teria uma reação trágica de defesa ou rejeição.
O amor é sutilmente perigoso e ao sorrir para uma face suave e desavisada, arranca, com a pureza de uma criança e a ousadia de um ladrão, toda e qualquer felicidade que pulsa no coração de um ser.
Por tudo isso que já vi, de todos os poucos lugares que já andei, a minha mente foi o mais reprodutivo e mortificante, o mais perigoso e também apaziguador. Dos vários poucos lugares que já fui, minha mente foi o mais teatral, às vezes sou apenas a mobília, às vezes fico por detrás da cena, mas só me dou realmente bem quando sou interprete de mim mesmo no palco da vida. Então, por tudo isso concluí, que o mundo externo ainda precisa girar muito para me nausear e me jogar no chão.

domingo, 16 de outubro de 2011

Trem do meio-dia


Ela pegou o trem do meio-dia.

Mais uma mulher deixou sua casa hoje e foi em busca de um novo lar.



Não foi uma manhã normal acima de tudo, e para ela, as coisas pareciam normais.

Para ele, era um dia feliz sem notícias dela.

 Mas como ele poderia imaginar? Mas como ele poderia não esperar?

 Saber sobre as fases da vida é uma coisa, olhar as fases da vida é diferente.

Furados os olhos e amargando o coração ele segue.

 Ela também segue, pegando um trem para uma terra melhor.

 Ambos sobre a mesma esperança.

 O que ele poderia esperar do sofrimento dela?

O que ela não imagina do sofrimento dele.

O dia está feliz apesar de tudo.

Há um sol lá fora para ele.

Para ela um esforço, uma força, uma nova vida.

O silencio o matou.

A vida levou-a.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

To fix you

Dói mais ainda quando você não sabe a profundeza dos teus ferimentos, você tenta tocar a superfície com a ponta dos dedos, o menos calejado, para que , quando alcançar o ponto mais fundo, da ferida mais dolorosa, sentir a mais leve dor. Porém se enganas ao achar que a dor será leve, pois não existe dor leve, nem mesmo existe dor que não deixe cicatriz, pois no ponto mínimo, no átomo, haverá uma mancha, uma rachadura, uma contusão. Cada um só é capaz de definir a própria dor e alguns nem mesmo as suas sabem definir.
Você já derramou nas suas lágrimas sonhos, vontades, desejos, vida.
No seu sorriso poucas vezes alegria, felicidade, carpe diem, mas fingimento.
Você já tentou se consertar... ?
...
...
...
Você deveria tentar mudar um pouco, não pensar em muitas coisas, mas viver. Correr um pouco os riscos do engraçado. Não tentar mudar os conceitos das pessoas, porque as pessoas simplesmente erram e sabem que é saudável errar. E perdoar? Talvez você não deva mais viver entregando o teu perdão, nem tua indiferença, pois o perdão e a indiferença, às vezes só servem para aumentar os erros na zona de conforto, que muitos, muitas vezes não sabem enxergar. Odeie, como se alguns fossem seus inimigos, mas nunca deixe que esse seu ódio te controle, use-o apenas para saber que há pessoas que devem ser evitadas, ignoradas e devem permanecer longe do teu conceito de vida.
Não importa o lugar a que você pertence ou se não pertence a nenhum, pertença ao seu mundo, faça da tua força as tuas alegrias, dos teus erros prevenções para erros futuros, maiores. Seja imperfeito não tentando ser perfeito, mas erre na vida, tente na vida, depois não haverá vida para errar, nem dores para sentir.

domingo, 11 de setembro de 2011

Encontrando os eixos

Há um turbilhão de pensamentos me rondando agora. Conclusões, fatos e idealizações.
Uma nova vida e um novo sorriso aguardam meus sentimentos mais destrutivos. As coisas estão... Encontrando os eixos. A vida em sua plenitude está mudando e tais mudanças são ótimas. Ver-se que as histórias contadas entre os cacos e pedras fazem sentido.
As paredes foram quebradas e há um paraíso dentro mim. Tudo do que eu precisava era uma nova visão da idealização, uma idealização não minha; não compartilhada por mim e meus sentimentos banais. Eu precisava ser o outro para me libertar. Eu sinto o cheiro da libertação da vida, do medo sobre a vida, do que machuca. Isto quer dizer que o gelo está se derretendo e a dor que antes eu sentia dentro de mim também foi libertada. A dor que grita alto agora é sobre o meu sofrer, o sofrer externo, e isso é muito novo. Um novo eu, um eu mais que antigo, que havia se despedido de mim, mas que agora voltou. Eu sou um novo antigo eu, o que sofria por sentimentos e não por indiferença, um eu que sofre pelos outros e não por si mesmo, mas que tem a força de um dia para superar a si e a sua própria dor. Eu cheguei a conclusões, fatos e idealizações. Eu estou bem; Eu ficarei ótimo.



sábado, 10 de setembro de 2011

Ela me mostrou um eu

“Deixe-o ir; deixe que ele seja livre.” Ela disse com sua voz tremula, rouca, segurando o desespero e as lágrimas que já estavam se formando nos seus olhos e interrompendo sua garganta.
Foi então que eu percebi o que havia feito e que ela eu havia perdido. Eu fui sincero e errado, errei mais que qualquer um já errou. Deixei o medo me guiar e transformei a vida de um ser puro em sombras. Nunca deixe o medo te guiar, tu podes tornar a vida das pessoas uma junção de espinhos em carne. Eu sou um mostro.
Mas aquelas palavras dela me machucaram mais que qualquer outra coisa de emoções feridas. Aquela reação me destruiu, me sufocou e a cada segundo que se passa, eu não consigo não pensar no quão destrutivo eu fui, não quão destrutivo sou, e no quão indestrutível acreditam que eu seja.
“Deixe-o ir; deixe que ele seja livre; deixe que ele viva sem você”.
“Deixe-o ir; deixe que ele seja livre; deixe que ele viva sem você”.
“Deixe-o ir; deixe que ele seja livre; deixe que ele viva sem você”. Suas torturantes palavras me mostraram um mostro. Seu desespero me agoniou. Suas palavras se repetem dentro de mim, batendo nas paredes internas do meu corpo, machucando cada pensamento saudável que eu já tive. Eu sofri e sofro, como mais um que já viveu nessa terra sistemática, onde o sistema não se pode ser mudado, e quem se atrever a tentar sairá gravemente ferido.
Eu fui um ser puro, mas me deixei ser envolvido por sombras,sendo possuído e aderindo o sistema, fazendo parte dos que recrutam. Eu sou um mostro.
“Deixe-o ir; deixe que ele seja livre; deixe que ele viva sem você”. Ela disse;
Eu sou um mostro.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Dose de mim

Enche o meu copo, preciso me embriagar. Sei que essa coisa estranha vai me deixar logo. Põe a dose do teu álcool mais forte em um copo de vidro, do mais resistente vidro que tu tiveres, pois sei que esse vidro irá se quebrar, por que, por mais resistente que ele seja, ainda assim é vidro. Por mais resistente que fui, fui quebrado, demorou um pouco para eu saber que aquela parte destroçada no chão fazia parte de mim e de alguns dos meus pedaços, mas agora eu vejo e sinto claramente que eu fui um vidro resistente, porém, assim como o copo resistente e quebrável que tu estarás me servindo, eu quebrei e quebrar-me-ei novamente. Eu sou como um copo de vidro, tornando-me outro a cada estrondo ouvido no chão.
Não sei como foi possível eu me embriagar da dose errada; Talvez eu soubesse que quando dois olhares se cruzam há mais de uma possibilidade. Um olhar pode definir reciprocidade, mas também pode querer dizer dois pares de olhos confrontando-se para manter a distancia, a separação do desejo provocada pelo desprezo.
Não, agora não! Por favor! Mudei de idéia, traga apenas o copo, pois vou enchê-lo apenas com o sangue, o meu sangue, talvez eu bebendo o líquido de mim mesmo esses cacos se colem - como em uma ligação surreal orgânica -, e eu possa tomar uns drinks de uma bebida de verdade, que não tenha gosto de ferro e fel, mas o sabor do alívio de não ter apenas a dor do desprezo em mim, mas conhecer o gosto da reciprocidade.

sábado, 27 de agosto de 2011

Anoitecer

Encontra-se entre um dilema; um dilema resolvido.
Não importa o que se faça, qualquer movimento será bruto, desconhecido.
Não importa quantos sóis irão aparecer, no fim do dia, o sol descerá e a lua surgirá provida de tanta beleza sim, e também, iluminando as ruas e avenidas de uma cidade escura qualquer ou específica. Sempre há dois lados, o bom e o não tão bom assim, e com a lua, tirando o lado belo e clareador, restam-se apenas as sobras do dia e as sombras da noite; sombras perdidas por se juntarem pela falta de luz e separarem-se com a presença dela que nesta noite apresentar-se-á ausente.
O dia é limpo e claro, existem flores até no concreto, espinhos nessas flores, mas sempre há uma lâmina ou duas para desarmar a flor dos seus espinhos; há sempre flores sem espinhos sendo carregadas por uma pessoa apaixonada. A luz do dia em um quarto trancado – um mundo, - em um escuro, não se é notada com tanta evindêcia, entretanto sabe-se da sua existência, pois ver-se luminosidade pelas frestas da janela. A luz do dia é clara de estar claro pelo sol, motivo de sorrisos, de vontades e desejos, de vida. Dez palavras para completar uma sentença, essa sentença chama a lua, sem seu papel de iluminar como um objeto iluminado faz: Uma lua está chegando e trazendo com ela a solidão.
Não se atrasa o relógio do sol e da lua, eles estão interligados. Cedo ou tarde por mais que o sol brilhe a lua requer sua própria chegada para apaziguar a vida do dia e encarar o fim à noite. Não importa o que se faça a lua sempre irá aparecer.


segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Aos corações inteiros.

Aos corações inteiros, saibam que o meu ainda está partido.
Eu construí paredes fortes e resistentes com camadas fortes de tinta branca sobre aquela cor velha que ali reinava. No interior da parede foram renovadas as vigas de ferro, uma porcentagem relevantemente mais forte. No piso, não mais lajotas quase vermelhas, mas uma cor azul do blues ainda contorna os passos feitos por mim. As portas não mudaram muito, por isso as fechaduras não foram trocadas; É difícil alguém entrar nesse coração, mas qualquer pessoa pode tentar com uma grande probabilidade de ser aceito, entretanto, a recepção de boas-vindas logo acaba se o visitante – ou hospedeiro - não traz consigo uma boa garrafa de alegria, alguns biscoitos de sorriso e uma mala cheia de curiosidade, personalidade e dosagens corretas de emoção.
Eu habito em um, dois, alguns corações – ou mesmo nenhum -, isso depende muito de quem mente para felicidade alheia, ou propaga uma verdade tão grande que seja difícil de acreditar. Isso não quer dizer que eu acredite em muitos sentimentos, principalmente em bons sentimentos. Eu já contei grandes verdades que foram se transformando em mudanças; Já espalhei uma mentira, um desejo oculto, que está quase se tornando história, composta por fatos, algumas personalidades e grandes acontecimentos, ocasionados por motivos banais é claro.
O fato é que, eu ando por aí juntando os cacos de alguns, talvez quebrando os cacos de outros, mas com certeza, eu ando mais fazendo o bem aos outros que a mim mesmo, entregando o meu sorriso e tristeza e muito, mas curto tempo ao desajeitado e correto desejável, mas difícil de suportar. Arriscando um pouco do pouco capitalismo que me move, mas que contribui de forma ainda mais desagradável para sistema financeiro, financiador dos corações partidos. Eu viajo do platônico ao literal para dar um pouco do sentimento que não acredito para quem acredita que precisa, mas eu, eu continuo pouco satisfeito com o que o sistema me impõe. Eu ando grudando e impedindo os cacos de um coração não partido, enquanto o meu ainda mais se parte. E aos corações inteiros, o meu continua se partindo.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Até o sol queimar

Eu não posso impedir a mim mesmo. Estou com medo, e estou sufocando de tanto esperar algo que sei que nunca irei encontrar, então não estou pronto para correr o risco de perder tudo o que supostamente me mantém vivo. Mas como posso saber o que me mantém vivo se eu ainda não pude encontrar? Tudo que sei é que estou me deteriorando por dentro e por fora, de dentro para fora, e não importa para onde eu olhe, nunca saberei explicar o porquê de eu estar sonhando com um vôo se eu estou caindo de fato. Talvez a necessidade de respirar não se compare a de voar. Não há mais um dia sobrando e eu sinto muito se não posso esperar a minha mente se decidir entre te deixar ir, ou apenas me deixar tomar o controle do egoísmo e da minha auto-isolação. Gostaria de saber o que eu poderia deixar de esperar se a luz da lua se faz tão ao norte, mas me leva para o sul e me despedaça em todos os cantos ao redor, por que eu não sei onde você está, e eu nunca estarei com você, pois toda vez que eu tento, sinto que não posso encontrar. Sinto que preciso de ajuda sem nem mesmo saber como poderias me ajudar. Esse vôo está caindo e caindo e eu estou descendo ladeira abaixo. Não há mais um dia para gastar, e os nossos segredos que na verdade sempre foram só teus, não podem ser revelados já que tu simplesmente sabes o que poderia te fazer sentir mais falta. Há coisas pelas quais tu estás desejando viver e eu sou uma escolha que não podes deixar junto à sala de estar, pois tu nunca mais voltarás e eu vou ficar numa moldura dos anos 50 que nunca irá degradar. Teu coração não estará tentando bater por mais um pouco de sangue, estará apenas batendo por um pouco de quilômetros entre você, minha verdade, a verdade do mundo, e o que supostamente está nos matando.



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Just fell too tired

Olhos vermelhos. Olhos queimando. Olhos úmidos. Olhos molhados. Olhos cansados. Quanto tempo isso não acontece, deu até saudade. Mais uma nota para a minha caixa de lembranças amargas, mais uma nota para publicar com o nome “saudade”. Mas sinto um alívio tendo isso sendo expulso, como um expurgo, tão intenso, tão amargo que só no ato de se livrar dói tanto quanto no ato de ter obtido e obter. Livrar-me-ei de todo esse acúmulo de vazio ou ao menos tentarei e se não conseguir, saberei que ao menos tentei. Sou bipolar, que mudança repentina. Não mais olhos úmidos, não mais olhos molhados, mas algo nessa minha face nunca mais conseguiu mudar. Esses olhos vermelhos, esses olhos cansados. Eu estou cansado de estar sempre perdido, de estar sempre cansado.




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Um pouco de mim em nós


Eu já fui criança como todos já foram. Eu brinquei no playground, ou pelo menos tentei.  Eu particularmente gostava de ficar sozinho, eu via as outras crianças brincando e acredite ou não, eu estava o tempo todo na porta de casa observando o mundo da minha redoma. Eu já sabia o que era tristeza, eu já conhecia a parte ruim, talvez sem muita noção disso, mas eu já conhecia a parte escura da minha casa e do mundo.
Já fui um adolescente também, e sabe de uma coisa? Eu ainda me sinto um, um que já supostamente encara o mundo como um adulto.  Eu vi todos alcançarem seus objetivos, ou mudar tais, eu penso que a qualquer momento todos voltarão a ser adolescentes, mas tenho certeza de que essa esperança é inútil. Não quero voltar para o segundo grau, não acho necessário, não quero que meu corpo físico seja tão ágil quanto a anos atrás, eu só queria ter a mesma fé e os mesmo pensamentos liberais de antes. Sabe aqueles intensos que arrancam lágrimas ou constroem sorrisos, ou mesmo aqueles imaturos e infantis?
 Eu não sou mais criança. Eu não sou adolescente. Sou um adulto, talvez eu esteja tentando ser um, mas responsabilidade se formula com o tempo e experiências, o tempo me sobra, mas experiências... Tenho algumas guardadas junto à roupa na backpack. São apenas coisas que sei que irei usar, então não espere uma caixa de sorrisos, ou um litro com lágrimas, pois sinceramente, as lágrimas ficaram na infância e os sorrisos na adolescência, nessa fase adulta uso apenas a neutralidades dos sentimentos, a parte prática dos pensamentos.
Eu tinha um amor, mas como todos podem imaginar, são coisas da vida ter um ou outro, e também faz parte da vida perder e não querer mais ninguém, entretanto pensamentos como esses felizmente não são atemporais. Do pouco que já vivi, não foi difícil descobrir que as pessoas nos machucam, o amor não. Não leve a mal ao me ouvir dizer isso, mas: as pessoas não sabem amar. Não pense que digo isso pelos sorrisos que me desmancharam, eu sei e foi duro saber que amar não é relativamente fácil, e que ás vezes as lágrimas não são parte de tristeza. O que estou querendo dizer é que o amor não se inventa, ou se torna verdade com milhares de mentiras sinceras, porém se projeta depois de um buraco de ilusões, tampado com muita terra e cimento.
Tenho que redizer que sou um adulto (achar que sou não quer dizer que eu seja), estou tentando encontrar o melhor modo de ser um. Um homem se projeta como muitas palavras em uma folha de papel em branco, o conteúdo neste é o que revela se há um sentido em seus atos ou se ele é incoeso. 

Um eu triste

A doçura do cheiro agreste com a dor do espinho tocado uma só vez.
 Não há uma música barulhenta, mas o coração dispara. Foi sobre isso quando eu disse.
Do amor que me dera por algumas horas. Do amor que eu queria, do amor que eu precisava. Eu também precisava me conter, eu também precisava te deixar.
Não precisas dizer que voltarás, se não vai. O amor que eu desejava por uma noite, me foi entregue por umas horas. De cada hora um novo cheiro, um novo olhar, um novo toque, um novo jeito. Perder por partes, tão doloroso quanto perder tudo logo de uma vez. Uma voz que se ouvia.
Eu vou esperar, eu sei que vou, mas tu não voltarás. Não voltarás por que não quer, por que sempre temos duas opções, a de amar e a de abandonar um amor. Eu sei que não vai voltar, da mesma forma que sei que preciso que voltes.


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Uma carta


Oi, como vai você por aí? Por aqui está tudo bem.
Sabe aquela saudade? Pois é, ela está dormindo todos os dias comigo, de vez em quando ela me abraça e fica frio, às vezes ela embaça meus olhos. Eu sei que prometi sempre estar por perto e entenda que estou cumprindo a promessa do jeito que posso. Se às vezes me afasto é por não sentir mais vontade de viver e tu deves saber que tento esconder isso de você, não por que eu não confie em ti, mas é que não quero que tu me vejas assim, que tu me sintas assim. Tenho desistido da muitas coisas, tenho me focado em outras, porém sempre sinto que ainda há um peso muito grande sobre mim, eu queria me livrar dele só que ele parece ser muito forte e eu muito fraco. Eu queria te dizer que eu te sinto da mesma forma que sinto a saudade: Do meu lado, mesmo me machucando. Não se preocupe, eu amo te sentir do meu lado, realmente amo, mas na analogia me refiro mais especificamente a te sentir dentro de mim sem saber como explicar, te sinto me rodeando sem uma parte física presente.
Sabe do que estou me lembrando agora? De você de olhos fechados, fechando os meus com as tuas mãos, desenhando todos os contornos do meu rosto, me dizendo que adora fazer isso, dizendo que sempre vai se lembrar de como são minhas características faciais. Eu me lembrei disso agora. Eu fiquei feliz por lembrar-me disso, espero que tu fiques feliz por saber que não mudou muita coisa, talvez umas rugas ou marcas de expressão, entretanto nada que possa te assustar, nada que mude o que tu gravaras com tuas mãos.
Sabe que quando eu penso em você me vem uma vontade de sorrir? É, tu é o sorriso escondido das minhas tristezas. Eu te amo.

Do teu guri.
P.S: Pensando em você eu sorrio com uma lágrima no rosto.

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É você

The only song for me is you.

Eu gostaria de usar minha voz para tu ouvir todos os fonemas pessoalmente.
Eu gostaria de gastar muito do meu tempo onde estou ocupado contigo e os tempos livres seriam o intervalo para nós continuarmos gastando o meu tempo. Havia tantas coisas entre você e eu, que só eu e você sabíamos compartilhar, e não mudou de certa forma continuamos compartilhando coisas, mas tivemos que adaptar-nos com a forma com a qual nossas experiências foram sendo vividas e registradas. Tu podes filmar o mundo agora mais com que teus olhos. Com teus olhos o amanhã poderia ser eu. Toda vez que tu está sozinha eu só posso imaginar como seria abrir tua mente para tu ver como teus sorrisos são valorosos, o quanto tua vida é magnífica e o quão fundo é o buraco que tu deixas quando faz parte da carne de alguém que sem opinião deixa.

Eu gostaria de saber usar as rachaduras das minhas palavras para emocionar os olhos de lentes fotográficas que ela tem. Cantar para que ela soubesse que ela é a garota que quebra as minhas escolhas, e que às vezes eu usaria ela como escudo mais uma vez para negar o meu “grande amor”, pois ela sempre soube me defender com mais perfeição que o Aegis de Zeus. Ela é real.

Ela quem subiu as escadas do Norte comigo, e foi ela quem me viu voar. Foi ela quem segurou minha mão pela ultima vez e quem me deu um Cérbero de uma única cabeça que adentrou comigo pelas portas do inferno e ao invés de me dilacerar, me protege e me faz lembrar que ela é real e que está em todos os lugares na minha mente comigo, mas eu queria abraçá-la mais uma vez Hoje.
Ela mudou. Eu mudei. Ela já me segurou. Eu já a segurei. Ela já chorou. Eu já sofri. Mas agora ela se sente tão bem e eu me sinto... bem. Ela está sã e salva na minha alma, apenas na minha alma. Alguma coisa no passado mudou, mas eu estacionei nesse tempo, não em corpo,não em ideais, mas em espírito.


Colecionador de cadáveres

Desde os fios louros dos teus cabelos, ou do escuro-negro dos teus relativos e até mesmo dos castanhos que desbotam na manhã após. A cor do cabelo é tudo que resta do teu cadáver antes resplandecente, agora apenas uma mortificação cinza. É assim que eu idealizo-te ao te ver respirar perto de mim: “mortificação cinza”.
Meu corpo se move como uma pedra, como as montanhas; lentamente através dos anos, através das estações; mas não importa, eu estou salvo de ti, eu me livrei -na verdade- de te ti.
Teu sangue europeu me engana, ou quase. Se tu não contas, teus segredos estão guardados em mim, mas logo se abrem no teu olhar, no teu desejo, na tua quase vida. Meu melhor ser te cavou um buraco no chão o meu pior preocupou-se em te enterrar. Sim, tu estas no fundo na minha emoção, tu estás a sete palmos do chão do meu coração.



Flores e palidez são disso que me lembro. Ninguém sabe que um quase anjo caiu do céu e se machucou. Flor, do doce aroma ao aranhão do espinho, podes ser tu, também pode ser eu, pode ser das flores do teu enterro. Palidez, da carne que tu olhas no espelho, e o ser que consigo projetar nos passos leves e flutuantes, és tu. Tu poderias ser única, mas para sua surpresa eu sou um colecionador, não de sorrisos, mas de corpos, e tu poderias ser única se não fosses mais uma, apenas mais uma.
Tu podes ver a chuva ou está escuro demais? Tu podes sentir o frio ou está real demais para tu chorar assim?
    Tu não podes ver a chuva nos meus olhos, pois a própria chuva se faz capaz de me esconder.


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Save The Hero (?) Part. 1

Como é possível tentar agradar alguém e esse tal alguém julgar-nos de forma tão arrogante e bruta e ainda assim permanecer glorificada?
Quem são os heróis na verdade? Aquele que defende os próprios princípios, ou aquele que depende do sofrimento para poder ajudar?
Estamos rodeados por certos e errados, inocentes e culpados, e mesmo não sabendo quem é quem, podemos julgar a vida como um aprendizado.  Às vezes achamos que o correto é ser feliz, mas nunca fazemos o suficiente para não passar por cima de “tudo” e continuar sendo heróis. Heroísmo e felicidade estão de certa forma ligados, mas nenhum herói permanece correto se para isso precisar ser feliz.
Chegamos à forma que chegamos da maneira mais violenta e sofrida, por que querendo ou não, é o modo mais fácil. Fazer o que tem que ser feito. Com o sofrimento vem o crescimento, mas ás vezes não deveríamos sofrer para então crescer. Não é lamentação, é o justo e não a vida. 

Verbofobia

 Eu escrevo minhas palavras com meu próprio sangue, por isso estou sempre machucado. Tudo que eu sinto são lâminas cortando minhas veias e artérias. Vejo o sangue escorrendo feito tinta pela caneta. Esse pedaço de papel está manchado de vermelho, não só pela cor do sangue, mas também por sua própria cor. Só uma folha ferida pode receber tantas palavras sangrentas e camuflá-las. Somente minhas palavras podem ser tão mortais para manchar uma folha de papel, e não me deixe falar do que minhas lágrimas são capazes de fazer.
As palavras são como as chuvas, caem do topo mais alto e podem ter a mais exuberante apresentação e beleza, mas também, pode causar tanta destruição que um coração pequeno muitas vezes tem um ataque catastrófico; tão literalmente quanto se pode ser.

Às vezes minhas palavras são descarregadas levemente sem que o peso seja notado, mas a sua suavidade é só imaginada por quem ler, pois para mim é sempre mais umas tantas lágrimas de sangue sendo expulsas do meu corpo, é sempre uma gota densa, pesada e vermelha saindo do coração e cravando-se em um pedaço  branco e ferido de papel.

O fim da Monótona Nostalgia

...Nostalgia

 

- Hoje eu desejaria morrer.


















 Fotos na parede, lembranças pelo chão do quarto, marcas das tuas unhas na minha pele, todos os rastros que tu estiveras aqui. Tantos rastros mais nenhuma pista de onde tu possas estar, mas eu sei que posso te encontrar em qualquer lugar, pois nós nos ligamos de tal forma que seria necessário mais de um rio e um mar para nos afastar.
O fim está chamando. E nossa, que saudade, que saudade.
Está tudo mudando. Está tudo mudado. Outras grades já me prendem; Antigas cordas estão puindo. Estão construindo paredes na frente da minha janela. Por ela eu via o passado, eu via... Estão construindo blocos de concreto.
Fecho a minha janela, dou alguns passos até a porta da frente, abro o portão, fecho-o, saio pela rua. Tudo era tão estranho, mas agora se tornou normal, tão normal quanto desejar estar em outras ruas. Vejo pessoas, elas me olham, elas dão passos ora apressados ora lentos demais, seus rostos não se distorcem em nada conhecido, elas não querem ouvir a minha conversa, querem ler meus pensamentos, como uma planta que morre por falta de água ou por águas em excesso. Mas no meu olhar o único mistério é a morte.
As pessoas se sentem sozinhas, elas sobrevivem sozinhas, diferentemente de viver.
Nossos corpos se afastam do abraço. Nossas mãos afrouxam do aperto, nossos dedos abrem espaço, cada vez mais espaço. Entre nós o que resta é o vazio e a nostalgia. Nostalgia de molhar os olhos. Uma parte de nós sempre estará junta, porém essas coisas adormecem, desmaiam e não acordam, mas nos chutam quando em pesadelo.
Ele voltou para casa depois de mais ou menos uma hora, as mãos nos bolsos como uma tentativa de se mostrar ainda mais indiferente ao mundo, só que esse mundo o engoliu. Ele entra em casa, caminha até o próprio quarto, atira a vida que estava sobre cama no chão. Ele deita, ele desmaia, ele dorme, ele morre.
As lembranças ganham poeira num canto do quarto.
O fim chegou e nossa, nossa que saudade... Que saudade.

Apenas uma questão de amor

E dois segundos antes só os nossos olhares diziam algo totalmente aceitável, errado pode-se dizer, mas aceitável. Os dois segundos depois os lábios já diziam palavras que palavra nenhuma poderia ser dita, mas nossas línguas também não poderiam ser contidas. Mas quem iria conter tal comprovação de errado? Quem julgaria mais além de nós que é pecado?
Há um mundo lá fora pequeno coração, e esse mundo se estressa com os direitos dos outros. Esse mundo pelo fato de ter seus direitos luta para que outros não tenham.



E um minuto depois já não havia frio, calor talvez, porém o suor apagava qualquer chama que pudesse queimar nossa carne.  Apagava tudo, menos a brasa que no rotineiro clichê incendeia o coração. Oh, como isso pode ser tão errado se estamos tão loucamente à vontade para falar de sentidos que só uma carne tocando a outra pode definir?
Amor como pode fazer-te correr atrás de mim quando estou tão estagnado em ti? Caminha, ou corre, mas não importa o tempo eu estarei a ti esperar.

A primeira parte que dizia “eu te quero mais do que a mim” ainda me torce dentro da alma. Como posso dizer que não é isso que eu quero? Quando cada célula do meu corpo quer se manter conectada a ti, se cada rastro de solidão desaparece ao te ver, e ah como seria inevitável não te ver por entre as periferias da visão, como seria substituível o meu coração se tu não passasses por ele para ao menos dizer “Olá”. E ainda assim, me vale ter a covardia de fugir a ter a coragem de ti deixar. Mas um louco eu seria. Deixar-te se tu não amasses; deixar-te se eu não te amasse, mas tu me amas, e eu, eu te amo o tão pouco do infinito. Comparado a ti, o eterno pouco seria; a vida pouco importava. Contigo, tudo parece ser tão fora do eixo que neste passamos a existir. Precisamos de atos falhos, pequeno coração para saber o caminho certo.




Imagens da internet

Perdas e Danos II

Eles chegaram separados,
Eles se olharam, primeiro um, depois o outro. Viraram os rostos.
Eles se cruzaram no meio de um turbilhão de gente, seus braços se tocaram, separam-se.
Um faz o som da música na sua mente. O Outro dança pelo som feito pelo Um.
Um fica com outro um e não com o Outro. Dor.
Desapego assistido
E as luzes que estão cegando aqueles rostos. Nada em uma turbulenta corrida de desejos.
Corpos flutuantes.
Um olha, outro não.
Um não olha e o outro continua sem olhar. Será?
Eles se olham.
Continuam a se olhar. Rostos virados. Tristeza, solidão, vazio, dor.
um se vai, o outro em pedaços.
A beleza de não saber quem é um nem o outro.
Covardia.
Eles se foram separados.

Perdas e Danos I


 Está tão comum perder.
















As pessoas sempre desaparecem, nada as completa, nada e ninguém é o suficiente, todos sempre vão embora, mas eu sempre espero que alguém fique.
Eu fecho meus olhos e vejo todos que já partiram, meus olhos continuam fechados, tenho medo de abrir e as lágrimas escorrerem, ainda não sou forte para encarar o que é real.
Abro meus olhos e vejo todos que estão indo, estou sorrindo para mostrar que estou bem, não posso querer que fiquem se têm que partir. Porque todos sempre vão nos deixar, só não sei se podemos esperar que retornem. Porque todos vão passar e vão crescer e eu vou ter que crescer também, pois até eu vou partir de alguém, e esse alguém vai fechar os olhos para não deixar as lágrimas caírem.

A imagem do vazio refletida de dentro

Você me faz chorar. Sim, tu fazes o meu coração se partir, e sim, tu fazes do meu corpo o conforto para tua dor. Eu, muitas vezes calado ou sorrindo, ou até chorando calado, não posso fazer nada para isso mudar. “Isso”? Esse vazio, esse sofrimento todo.
Uma visão: Muitos corpos. Um mar de corpos. Todas as espécies de cadáveres, mas o dessa imagem sombria são corpos esqueléticos em um mar. Um mar de fogo, tal fogo não queima, mas esse fogo simbólico dói. Ver-se todos os corpos esqueléticos criando estampido em uníssono, tais corpos fazendo movimentos estranhos como os de seres humanos vivos queimando a carne, e nessa dança pitoresca, eles afundam. Fogo em água, se tornando um “neutro”, um vazio.
As mentiras que você faz parecer verdade estão dentro de mim. E se te consolas, eu sofro por um sofrimento sem igual ao teu, pois de todas as dores que posso sentir, sou possuidor de uma dor que não dói. Sou possuidor da torturosa dor de não sentir nada.