É claro que algumas coisas mudaram na minha vida, afinal, nesse processo de mudanças que me encontro, também seria natural não mudar nada, ou voltar para o que poderia chamar de um amigo ou inimigo do meu eu, mas de qualquer forma seria mudança. E esse processo é algo tão controlável quanto chuva no fim de uma tarde desagradavelmente quente. Há, é óbvio, motivos para as mudanças. Esse mundo externo é tão ou mais perigoso que o interno que também não me enquadro. Nele se encontra tantas mentes manipuladoras, que ao se deparar com a pureza de um ato, ou a sutileza de uma ação, qualquer mente previamente desgastada e avisada, teria uma reação trágica de defesa ou rejeição. O amor é sutilmente perigoso e ao sorrir para uma face suave e desavisada, arranca, com a pureza de uma criança e a ousadia de um ladrão, toda e qualquer felicidade que pulsa no coração de um ser. Por tudo isso que já vi, de todos os poucos lugares que já andei, a minha mente foi o mais reprodutivo e mortificante, o mais perigoso e também apaziguador. Dos vários poucos lugares que já fui, minha mente foi o mais teatral, às vezes sou apenas a mobília, às vezes fico por detrás da cena, mas só me dou realmente bem quando sou interprete de mim mesmo no palco da vida. Então, por tudo isso concluí, que o mundo externo ainda precisa girar muito para me nausear e me jogar no chão. |