sexta-feira, 8 de julho de 2011

Verbofobia

 Eu escrevo minhas palavras com meu próprio sangue, por isso estou sempre machucado. Tudo que eu sinto são lâminas cortando minhas veias e artérias. Vejo o sangue escorrendo feito tinta pela caneta. Esse pedaço de papel está manchado de vermelho, não só pela cor do sangue, mas também por sua própria cor. Só uma folha ferida pode receber tantas palavras sangrentas e camuflá-las. Somente minhas palavras podem ser tão mortais para manchar uma folha de papel, e não me deixe falar do que minhas lágrimas são capazes de fazer.
As palavras são como as chuvas, caem do topo mais alto e podem ter a mais exuberante apresentação e beleza, mas também, pode causar tanta destruição que um coração pequeno muitas vezes tem um ataque catastrófico; tão literalmente quanto se pode ser.

Às vezes minhas palavras são descarregadas levemente sem que o peso seja notado, mas a sua suavidade é só imaginada por quem ler, pois para mim é sempre mais umas tantas lágrimas de sangue sendo expulsas do meu corpo, é sempre uma gota densa, pesada e vermelha saindo do coração e cravando-se em um pedaço  branco e ferido de papel.