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parapraxia |
Eu tenho um jeito estranho de amar, se falar de amor ainda é estranho.
Eu vejo a beleza nos olhos, eu sinto o irresistível cheiro, eu sinto o prazer na companhia e isso não passa, isso não para. Mas eu tenho um jeito diferente de amar, se ainda se tem para falar de amor, por que há um milhão de coisas que deveriam ser ditas, mas nada é dito, nada é suficiente nas palavras, nos gestos, nada pode ser eternamente satisfatório, pois se houvessem palavras para expressar um sentimento no seu mais complexo modo de ser, então simples se tornaria. As palavras se vão ao vento, deixam marcas de destruição, não deixam nada intacto no íntimo de uma mente corroída.
De vermes vivem os que sofrem por palavras que o vento leva, de vazio vivem os que deixam o amor se apagar. E eu, do que vivo?
Há dias em que nada faz sentido, essa sentença sempre persegue os que sonham, e todos sonham, mas também há dias que tudo faz sentido, e nesses dias agente descobre o porquê de estar continuando, ainda há muitos sonhos para sonhar, muitas calçadas para se debruçar, muito sufoco para se entupir, entorpecer.
Corre as águas, corre as horas, corre a vida e ainda vida nos resta e ainda tempo nos falta, e ainda sangue nos sobra, e ainda e ainda, e ainda e ainda, nada adianta, nada se resolve. Mas eu acredito nos meus pulsos, eu acredito nos erros e nos nossos próprios eu, você pode esquecer um de você, mas hoje em dia você é tantos.
Eu sou um ser de varias formas de ser, mas eu sou apenas um nessa terra, mais um como todos em suas varias formas de ser, mais um em suas varias formas de amar. Eu tenho um jeito de amar, e eu vou e volto nas minhas palavras, mas é assim que sou, é assim que somos, é nisso que acreditamos. Alguém tem um jeito estranho de amar, e esse alguém ama.
Por Um Pseudônimo.
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Ida e Volta. Nada.Estagnado |
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