Às vezes eu queria poder te dizer o que passa na minha cabeça, mesmo sabendo que tu não acreditarás em nenhuma palavra do que tenho a dizer. E se talvez tu ouvir, também sei que tu distorcerás cada sílaba, cada palavra, cada linha e transformará todas as coisas que eu disser em armas. Palavras sempre lhe pareceram mais facas do que flores, talvez tu não possas evitar andar armado, e eu de carregar flores, mas nisso de encontrar um ao outro em caminhos distintos acabamos por nos separar. Você pela descida de uma vida sem mim. Eu, na subida de sobreviver sem você. Sempre fomos assim, um tanto água, um tanto vinagre. Nunca soubemos no que éramos realmente bons. Gostar foi um chute. Talvez fossemos bons em abraços, e em sentir sentimentos que não poderíamos dizer um para o outro, que eu, teimoso e pela agonia de expor um sentimento verdadeiro, dizer.
Não foi da primeira vez que eu senti “eu quero pertencer a você”, talvez não foi da segunda vez também, mas certamente que chegou o momento em que eu só sentia “eu só quero pertencer a você”, pois onde nenhuma esperança poderia ser encontrada, eu te encontrei, eu te magoei, eu me inferiorizei, me culpei. Levar a culpa divida por dois é o peso mais leve, comparado ao peso de desistir do que se quer conquistar, a quem se quer pertencer.
Onde você não está não há nenhuma estrela guia para me guiar. Mas tu não precisas de guia, tu és a tua própria estrela. Eu desisti de guiar a mim mesmo para me encontrar com você, mas depois de tudo, eu te perdi, eu perdi minha estrela, eu me perdi.
Falar do que você foi, você é, é como falar de uma vida que se foi, de um sorriso manchado pela dor. Não é como seguir a vida como se nada tivesse acontecido, é como seguir a vida sabendo que aconteceu algo, algo tão perturbador, mas tão esplendido, que ter de aceitar de viver sem isso, é tentar nascer todo dia. Esperando arrancar lágrimas de alegrias de uns, injetar alegria na vida destes e de outros.
Falar do que você foi, você é, é tentar caminhar com as pernas tremulas, com os pés dormentes, a qualquer momento o momento de queda pode acontecer. É como se o sol não fosse nascer e queimar, ou auxiliar na vida, é como se ele fosse apenas a luz do dia, a lembrança que a noite poucas vezes nos pertenceu. Caminhar, cair, levantar, otimismo barato, preços caros. Vida sem você.