
Depois de algumas nuvens de chuva carregadas de lágrimas desconhecidas e minhas, eis que vejo o que há por baixo de poças e buracos encharcados de água do céu. Não é muito bem como se planeja viver, crescer com as derrotas, com as perdas, com os buracos e o vazio que muitas das vezes parece ser tão eterno e não preenchido, é mais como viver sem saber o que esperar, como se tudo que estiver por vir será surpresa, algo novo, mas esse novo é tão nebuloso que nos faz pensar que andar no escuro é sempre assombroso, tão assombroso que o medo e o perigo são as únicas coisas a serem encontradas. Esquecer-se que a lua está rodeada de escuridão, mas é tão bela, tão apaixonante, tão iluminada... É um crime não pago que muitos devem até o último centavo. Desde que o mundo se entende por pessoas, que se vê miséria, sofrimento e solidão. É impossível aceitar a gentileza de um sorriso, ou um abraço como agrado. Arrancar lágrimas, ferir tem se tornado tão fácil, tão comum. Tentar simplesmente por não ter medo de perder vem sendo descomunal, tão real e efetivado. Há uma verdade muito errada, um acerto muito injusto, um mito moderno tão arcaico. Nos dias de luta não há pelo quê lutar, nos dias de amor há uma lutar interminável, brigas, culpa, fracassos, qualidades perdidas, o desconhecido e o letal. O fim nunca é totalmente consumado apenas com palavras ou atos, mesmo que estes coincidam, mas marcado por uma nuvem de chuva, que às vezes se faz em tempestade, outras em garoa, mas no brilho de cada gota pode-se encontrar, se olhando cuidadosamente, o raio de sol que virá algum tempo depois.
Metade de um ser encontra-se em constantes ondas, a outra, em um tronco enraizado, cimentado e chumbado. Não há o que tire a vida de um ser se não a morte. Não há o que tire o sorriso de um ser, desde que este saiba que o amanhã é a claridade e a conseqüência do que aconteceu hoje, mas o hoje inconseqüente, nunca será o mesmo no futuro.
A rebelião de um único ser acabou. A guerra acabou. Não houve ganhadores, nem mesmo ninguém perdeu. Um olho roxo para cada lado, um talvez, com mais sangue preso que o outro, mas ambos saráveis. Eis que o fim é só uma continuação do que sempre esteve ali, e isso independe do futuro.