domingo, 30 de outubro de 2011

Meu pedaço da vida

É claro que algumas coisas mudaram na minha vida, afinal, nesse processo de mudanças que me encontro, também seria natural não mudar nada, ou voltar para o que poderia chamar de um amigo ou inimigo do meu eu, mas de qualquer forma seria mudança. E esse processo é algo tão controlável quanto chuva no fim de uma tarde desagradavelmente quente.
Há, é óbvio, motivos para as mudanças. Esse mundo externo é tão ou mais perigoso que o interno que também não me enquadro. Nele se encontra tantas mentes manipuladoras, que ao se deparar com a pureza de um ato, ou a sutileza de uma ação, qualquer mente previamente desgastada e avisada, teria uma reação trágica de defesa ou rejeição.
O amor é sutilmente perigoso e ao sorrir para uma face suave e desavisada, arranca, com a pureza de uma criança e a ousadia de um ladrão, toda e qualquer felicidade que pulsa no coração de um ser.
Por tudo isso que já vi, de todos os poucos lugares que já andei, a minha mente foi o mais reprodutivo e mortificante, o mais perigoso e também apaziguador. Dos vários poucos lugares que já fui, minha mente foi o mais teatral, às vezes sou apenas a mobília, às vezes fico por detrás da cena, mas só me dou realmente bem quando sou interprete de mim mesmo no palco da vida. Então, por tudo isso concluí, que o mundo externo ainda precisa girar muito para me nausear e me jogar no chão.

domingo, 16 de outubro de 2011

Trem do meio-dia


Ela pegou o trem do meio-dia.

Mais uma mulher deixou sua casa hoje e foi em busca de um novo lar.



Não foi uma manhã normal acima de tudo, e para ela, as coisas pareciam normais.

Para ele, era um dia feliz sem notícias dela.

 Mas como ele poderia imaginar? Mas como ele poderia não esperar?

 Saber sobre as fases da vida é uma coisa, olhar as fases da vida é diferente.

Furados os olhos e amargando o coração ele segue.

 Ela também segue, pegando um trem para uma terra melhor.

 Ambos sobre a mesma esperança.

 O que ele poderia esperar do sofrimento dela?

O que ela não imagina do sofrimento dele.

O dia está feliz apesar de tudo.

Há um sol lá fora para ele.

Para ela um esforço, uma força, uma nova vida.

O silencio o matou.

A vida levou-a.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

To fix you

Dói mais ainda quando você não sabe a profundeza dos teus ferimentos, você tenta tocar a superfície com a ponta dos dedos, o menos calejado, para que , quando alcançar o ponto mais fundo, da ferida mais dolorosa, sentir a mais leve dor. Porém se enganas ao achar que a dor será leve, pois não existe dor leve, nem mesmo existe dor que não deixe cicatriz, pois no ponto mínimo, no átomo, haverá uma mancha, uma rachadura, uma contusão. Cada um só é capaz de definir a própria dor e alguns nem mesmo as suas sabem definir.
Você já derramou nas suas lágrimas sonhos, vontades, desejos, vida.
No seu sorriso poucas vezes alegria, felicidade, carpe diem, mas fingimento.
Você já tentou se consertar... ?
...
...
...
Você deveria tentar mudar um pouco, não pensar em muitas coisas, mas viver. Correr um pouco os riscos do engraçado. Não tentar mudar os conceitos das pessoas, porque as pessoas simplesmente erram e sabem que é saudável errar. E perdoar? Talvez você não deva mais viver entregando o teu perdão, nem tua indiferença, pois o perdão e a indiferença, às vezes só servem para aumentar os erros na zona de conforto, que muitos, muitas vezes não sabem enxergar. Odeie, como se alguns fossem seus inimigos, mas nunca deixe que esse seu ódio te controle, use-o apenas para saber que há pessoas que devem ser evitadas, ignoradas e devem permanecer longe do teu conceito de vida.
Não importa o lugar a que você pertence ou se não pertence a nenhum, pertença ao seu mundo, faça da tua força as tuas alegrias, dos teus erros prevenções para erros futuros, maiores. Seja imperfeito não tentando ser perfeito, mas erre na vida, tente na vida, depois não haverá vida para errar, nem dores para sentir.